Uma vontade de julgar os outros.

É verdade que todos sentem uma inclinação para julgar os outros.

Outro dia li sobre as pessoas que ficam nas praças imitando estátuas.

Se pintam de branco, se vestem de figuras lendárias e fingem ser estátuas. Ficam muito tempo imóveis e estáticas, e é impressionante o esforço que fazem para assim proceder.

Dizem que têm um procedimento padrão que seguem para conseguir tal façanha, e que sentem invariavelmente uma vontade de coçar o nariz e procuram divergir a mente para que tal vontade passe.

Julgamento:

É assim que me sinto às vezes com a vontade e o ímpeto para julgar o comportamento dos outros.

Sei que isso é um sinal de prepotência, arrogância e certamente estou comparando os outros contra algum padrão que certamente não é certo. Mesmo que esse padrão tenha sentido, não faz sentido ficar julgando os outros.

É um defeito de caráter que tenho que manter afastado. Tenho que rodar algum procedimento para distrair a mente, ou mesmo concluir naturalmente que isso não é bom, especialmente para mim mesmo.

Pensar que sou o juiz do mundo e que tenho um padrão correto de comportamento e por isso posso julgar todo mundo não é nada razoável, e eu tenho que chegar a essa conclusão sem muito esforço.

Coceira no nariz:

Mas não é tão simples, pois a mente, assim como o homem estátua que sente a coceira do nariz e não pode coçar, eu devo aceitar que essa vontade de julgar os outros pode me acometer a qualquer momento, e devo resistir.

Porque devo resistir? Porque não devo julgar?

No meu caso, simplesmente porque me determinei a abandonar esse defeito. Não quero mais, e sinto que me faz muito mal ficar julgando os outros.

Quero aceitar as pessoas como são. Quero aceitar o mundo como é nos aspectos que não consigo modificar.

Não posso modificar as pessoas, e cada um tem uma vida própria, um modo de vida, e não é o meu papel julgar e definir o que é certo e errado para os outros.

Quero viver bem com o mundo. Quero viver bem com as pessoas.

Não sou obrigado a conviver com todo mundo, aliás, quero distância de algumas pessoas, mas nem isso me dá o alvará para julgá-las.

Sei que isso me faz uma pessoa melhor, mais preparada para enfrentar as adversidades da vida e mais pronto para ser feliz com tudo a vida me oferece.

R.S. Beco

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