não tente controlar os outros Posts

O desejo de ajudar e o desejo de modificar.

Tenho que controlar esse desejo de controlar as outras pessoas.

Quando temos arraigado esse sentimento de que eu sei o que é certo, a própria ação de ajudar é também uma ação de controle.

Não devo querer mudar as outras pessoas.

Devo me preocupar em mudar a mim mesmo. Devo me empenhar em ser uma pessoa melhor a cada dia, e deixar que cada um trilhe o seu próprio caminho.

Se preocupe com o que está ao seu alcance.

Frequentemente estamos preocupados com coisas que fazem parte do nosso dia-a-dia, mas que estão totalmente fora do nosso alcance mudar. Isso inclui as outras pessoas, o governo, o tempo, e tantas outras coisas.

Se preocupar com tudo e com todos é uma perda de tempo e uma fonte inesgotável de infelicidade. Se atenha ao que está ao seu alcance. Aceite aquilo que não está ao seu alcance.

Busque a sabedoria para distinguir uma da outra. Não tente mudar as outras pessoas. Cuidar de si próprio já é uma empreitada e tanto.

Peça pela serenidade, assim como diz a nossa conhecida oração da serenidade.

Não tente impor regras impraticáveis.

Impor que o seu marido alcoólico beba com responsabilidade toda vez que forem a uma festa.

Impor que seu filho chegue exatamente dentro do horário, sem qualquer tolerância.

Temos que ser mais tolerantes e não impor regras impraticáveis.

Impor que a esposa seja mais organizada e deixe tudo no lugar, ou se tenha um comportamento espartano quando for ao Shopping Center.

Regras impraticáveis mostram prepotência por parte de quem as impõe.

Elas puxam um rosário de coisas negativas – julgamento – decepção – culpa – ressentimentos – arrependimentos.

Não impô-las te permite se livrar disso tudo.

Quando impomos regras impraticáveis estamos:

-tentando controlar o que não está no nosso controle;

-tentando controlar outras pessoas;

-tentando impor as nossas vontades sobre as outras pessoas;

No relacionamento pessoal, o conflito e o desentendimento acontecem em grande chance quando o outro quebra uma regra impraticável.

É uma frustração quando as coisas não saem como esperado.

Isso tudo pode fruto do perfeccionismo.

Queremos que as pessoas com quem nos relacionamos sejam simplesmente perfeitas.

Recusamos a aceitar o que chamamos de falhas dos companheiros, e em alguns casos sequer toleramos, o que acaba se tornando num desastre para o relacionamento, como bem comenta o Dr. Fred Luskin, no seu livro “Aprenda a perdoar – e tenha um relacionamento feliz”.

Insistir em regras impraticáveis é manter expectativas que não irão se realizar.

Por outro lado, quando somos razoáveis, quando enfrentamos as coisas com mais realismo, as regras impraticáveis simplesmente se dissolvem.

Quando colocamos as coisas não como regras, mas como desejos, aceitamos melhor quando tais desejos não se concretizam.

Quando as colocamos como regras, ao menor sinal de rompimento, sentimos a raiva tomar conta de nós, a mente se turva, e perdemos toda a objetividade.

Daí para frente é só discussão, ressentimentos, ironia, desprezo e culpa.

Será que há uma chance, pelo menos uma vez na vida, de você fazer como estou pedindo?

Dá para notar pelo tom da inquirição, de que está se tratando de uma regra impraticável.

É bom refletir sobre isto.

Beco

Não queira mudar as outras pessoas.

Mudar as outras pessoas não é uma condição para você ser feliz.

Na verdade não mudamos as outras pessoas, mas a nossa prepotência faz com que nos empenhemos em mudá-las ao nosso julgamento.

Aceita-as como são. Leve a sua vida, sem querer controlar a dos outros.

Ao tentar controlar e mudar as outras pessoas, quebramos a harmonia dos relacionamentos. Ao fazer isto, nos tornamos chatos, petulantes e companhias desagradáveis.

Queremos sempre que as pessoas digam o que queremos e da forma que queremos.

Queremos que elas ajam da forma como idealizamos e se vistam como julgamos adequado.

Isso é um sinal de prepotência, que nos leva a uma permanente frustração nessa empreitada infrutífera de querer as pessoas ao nosso modo.

Isso também nos impede que apreciemos a riqueza de cada pessoa e que aprendamos lições valiosas em cada interação, pois estamos tão preocupados em mudar e controlar a pessoa que sequer percebemos a beleza que temos à frente.

Essa atitude é um sinal de perfeccionismo, mas também um sinal de insegurança.

Aceitar o mundo como ele, e as pessoas como são é sim uma condição para ser feliz.

Faça uma leitura do livro de Alice Domar: Seja feliz sem ser perfeita.

Você sempre quer as coisas feitas de uma maneira determinada?

Você está sempre preocupada se as outras pessoas irão fazer como você deseja?

Você está sempre interferindo na maneira como as outras pessoas fazem as coisas?

Você dá muitos palpites na vida dos outros?

Você não aceita conselhos e os rechaça, sempre com argumentos objetivos, racionais e quase irrefutáveis?

É bom atentar para isso tudo.

Pode ser uma barreira enorme à sua felicidade.

Trabalhe essa questão do perfeccionismo, que sempre vem associado ao desejo de controlar as pessoas.

Faça uma pausa para respirar e evoque a oração da serenidade, sempre que esse ímpeto aflorar.

Beco