não retribua o mal Posts

O troco vem na mesma moeda.

Colhemos o que plantamos.

Quem semeia vento colhe tempestade, diz o velho ditado.

Não devemos desejar o mal às pessoas, pois podemos receber de volta, de uma forma ou de outra, alguma reação contrária.

Mesmo quando nada recebemos, ficamos sempre com a amargura de ter mergulhado em águas sujas e correntes tortuosas.

Tampouco devemos retribuir as coisas na mesma moeda, pois isso acaba virando uma corrente negativa sem fim.

O melhor ensinamento que aprendi sobre esse assunto, foi os dizeres de Gandhi que dizia que o princípio do olho por olho faria um mundo todo cego.

Relatam sempre um diálogo de Gandhi com um pai hindu, amargurado por ter o filho assassinado pelos muçulmanos. Disse-lhe Gandhi: sei como amenizar a sua dor, procure um garoto órfão de pai e mãe e crie-o como seu filho, mas se certifique que ele é muçulmano.

Mas sei que é difícil se livrar de ensinamentos tão antigos, que tem origem nos primeiros sistemas sociais, onde a noção de justiça recíproca deu origem a lei de Talio (lex talionis) e a retaliação.

Inúmeros livros sagrados dizem algo nessa linha, e acho que ficamos com isso praticamente colado feito chiclete na nossa mente.

O princípio de que o outro deve pagar pelo que fez, e a punição deve ser proporcional ao mal causado, acabou virando o olho por olho e dente por dente.

Quando somos ofendidos, nos parece logo plausível que devolvamos a ofensa na mesma proporção.

Essa exata reciprocidade, no mundo moderno, não parece fazer mais sentido. Isso nos rouba a energia para ser feliz.

A prontidão para devolver qualquer coisa ruim imediatamente, nos faz pesados, nos impede de caminhar com desenvoltura nessa jornada para ser uma pessoa melhor.

Não sei se tenho a grandeza dAquele no sermão da montanha – se te atingirem na face, dê-lhes a outra face, mas só por hoje, quero exercitar devolver apenas o bem.

Beco