não julgue Posts

Não aprove, aceite.

Aceite aquilo que não pode mudar, principalmente as outras pessoas. Temos o costume de julgar as pessoas, aprovar e desaprovar. Estamos constantemente passando todos pelo nosso crivo.

Na verdade, deveríamos nos empenhar em aceitar as pessoas como são, mesmo que não aprovemos o que são o que fazem. Aceitação é uma coisa e aprovação é outra.

Tentar fazer o papel de Deus, julgando e condenando os outros é uma arma que se volta para nós mesmos. E essa prepotência também se coloca a serviço para esmagar a nós mesmos. Nos culpados, nos condenamos e carregamos desnecessariamente a pecha de imperfeito, incompetente e incompleto.

Sei que é mais fácil aceitar quando aprovamos, vem com naturalidade, mas temos que exercitar a aceitação mesmo sem aprovação, ou ainda, sem julgamento.

Entenda o mundo que te cerca.

Perceba as pessoas, entenda o seu ponto de vista, seus gostos e desejos.

Entenda como as coisas influenciam sua vida e como você interfere na vida dos outros.

Estamos interconectados com coisas e pessoas, e como define o monge Thich Nhat Hanh. O verbo correto a se conjugar não é ser, mas sim interser, que significa ser junto com tudo que te cerca.

Procure estar em harmonia, entenda as forças que agem na sua vida. Lide bem com elas, aceitando o que está fora do seu controle, e assumindo a responsabilidade do que te cabe fazer, agir, mudar e decidir.

Você não ganha nada criticando os outros.

Evite esse hábito ruim de ficar julgando e criticando os outros.

Não ganhamos nada em criticar e apontar para os erros e feridas dos outros.

Detestamos quando as pessoas nos criticam gratuitamente – temos que evitar fazer o mesmo com os outros.

É também um tempo perdido, pois focando a nossa atenção nos defeitos dos outros, deixamos de olhar para nós mesmos e desperdiçamos a energia que poderíamos investir em nos tornarmos pessoas melhores.

Aceite as limitações dos outros.

Jogamos para os outros, a expectativa de perfeição que nem mesmo nós somos capazes de cumprir.

Ficamos cobrando, julgando e criticando, quando deveríamos aceitar e usufruir.

As pessoas são diferentes, temos que aceitar. O desempenho e capacidade de cada um respeitam a sua individualidade e as condições do momento. Não devemos cobrar mais do que é razoável. O mundo ideal e perfeito não deve ser um objeto de cobrança quando confrontamos os resultados e as responsabilidades.

Deixe passar.

Quando estamos caminhando e um chiclete gruda no nosso sapato. Não deixamos ele ali, pregando no chão a cada passo.

Também não entramos em casa com ele pregando no tapete.

Na verdade, logo que percebemos, paramos e fazemos de tudo para nos livrarmos completamente dele, depois disso, tiramos isso da cabeça e seguimos adiante.

Devemos fazer o mesmo quando recebemos uma palavra rude, uma observação mal educada, um comentário maldoso, ou até uma humilhação.

Vamos rodar o mesmo procedimento do chiclete.

Devemos fazer de tudo para que o pensamento não fique na nossa cabeça, remoendo.

Vire a página, continue o que estava fazendo, e sempre que o pensamento ruim voltar, expulse-o energicamente.

Nós somos naturalmente apegados a tudo, inclusive aos pensamentos negativos e aos maus momentos.

Deixar passar é o contrário do apego – é o desapego consciente e deliberado.

Não é largar de mão, negligenciar ou fazer corpo mole, mas simplesmente deixar passar aquilo que está fora do seu alcance.

Largar e deixar ir, deixar passar é um exercício difícil mas compensador.

Li outro dia num blog – Calm & Cool, uma metáfora muito interessante sobre o exercício de deixar ir, que comento a seguir.

Nós nascemos e fomos criamos segurando uma corda, como aquela que toca o sino da igreja.

Fomos educados a segurar a corda firmemente, do contrário, alguma coisa de mal poderia acontecer.

Somos chamados a soltar a corda, mas é muito difícil soltar algo que fomos educados a segurar com todos os dedos da mão.

O exercício metafórico é abrir apenas um dedo da mão e ver se alguma coisa de mal aconteceu.

Assim como nada aconteceu nem para o bem nem para o mal, não tem problema nenhum soltar mais um dedo, e assim por diante, até que soltamos a corda totalmente e nos sentimos mais leves e felizes.

A minha experiência pessoal é que deixar passar, começando por pequenas coisas, abrandando devagarzinho o julgamento excessivo das pessoas e das situações, deixando de ser tão rigoroso consigo mesmo, me conduziu a soltar a corda, um dia de cada vez.

Experimente.

Beco