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Com as duas mãos

Com as duas mãos

Venho de uma cultura japonesa onde damos e recebemos com as duas mãos. Me lembro, na minha tenra idade, minha mãe se recusando a me entregar alguma coisa até que eu estendesse ambas as mãos. Neste início de ano, tive uma experiência fantástica que me remeteu imediatamente à essa lição, à essa lembrança.

Os tempos felizes que vivemos juntos.

Os tempos felizes que vivemos, que benção. Os meus pais já se foram, mas as lembranças felizes de inúmeros momentos mágicos ficaram na minha lembrança.

Dizem que a vida não é o que vivemos, mas o que lembramos que vivemos. Eu mesmo faço um esforço adicional, escrevendo sobre os momentos, para tê-los sempre à mão.

Éramos cinco filhos e viajávamos de férias empacotados num carro pequeno.

Cantorias incessantes eram constantes nos trajetos, e quando chegava a hora da historinha infantil no programa de rádio, era um trabalhão para sintonizar.

Os sonhos de infância.

Quando vejo as minhas fotos dos tempos de garoto, me lembro dos sonhos e dos planos de me tornar um cientista.

Coisa boa e sonhar.

Muito disso se torna realidade de uma maneira ou outra.

Com muita curiosidade, assisti uma longa e famosa palestra pela Web, que veio a ser a última aula de Randy Pausch (descrevo um pouco dele na postagem seguinte).

Ao ser informado pelos seus médicos de que tinha de 3-6 meses de vida, proferiu o que se tornou a lendária última aula de Randy Pausch – The Last Lecture.

O video de pouco mais de uma hora pode ser assistido pelo Youtube com legenda em porguês. Clique o botão CC(vermelho) e escolha a legenda em porguês.

Randy, professor da Carnegie Mellon University, faleceu aos 47 anos. Sabia que estava condenado, por conta de uma doença incurável, e a sua última aula se tornou fonte de inspiração para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Ela fala sobre os seus sonhos de criança e como percebeu, ao final da vida, que as realizou uma a uma, ao seu modo.

Assistindo a palestra, captei algumas mensagens poderosas.

1-Quando você erra e as pessoas criticam, apontam seus erros, dão conselhos – é um bom sinal. Quando você erra e as pessoas não falam nada, é um péssimo sinal, mostra que elas desistiram de você.

2-As barreiras não estão lá para te manter afastado, fora. Elas estão lá para te lembrar o quanto você deseja as coisas que estão do outro lado. As barreiras estão sim para impedir e afastar as pessoas que não desejam tanto as tais coisas.

3-Experiência é quando você não consegue o que queria.

Randy me mostrou o quanto se pode aprender vivendo plenamente, com a mente aberta e receptiva.

A vida pode ser curta, mas pode ser suficiente para realizar e para ser feliz.

Assistindo a sua última aula, me veio logo o adágio de que devemos nos concentrar em colocar mais vida aos anos, do que mais anos a vida.

Passe adiante.

Beco