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O dinheiro não compra.

Dinheiro não compra felicidade, já sabemos.

Mas será que o dinheiro compra algum bem-estar?

Afinal, o dinheiro é bom?

Uma coisa é certa e nós já sabemos. Depois de um determinado nível, não adianta acumular mais dinheiro que o seu bem-estar não muda nem um pouquinho.

O descuido de ter nascido pobre.

Que desgraça essa de ter nascido pobre.

Que diferença faria se tivesse herdado bens valiosos e uma poupança polpuda.

Mas será que isso realmente faria diferença para a minha felicidade?

Durante muito tempo na minha vida, e acho até que ainda faço isso hoje, fico procurado um culpado para a minha pobreza.

A avareza é triste.

Dinheiro é necessário para viver, mas quanto é necessário e quanto é o suficiente.

A avareza é diferente da ganância ou do hedonismo.

Tem a ver com o medo de perder e o sentimento permanente de carência.

O avarento conta os tostões, o ganancioso corre atrás dos milhões, e nenhuma dessas atitudes garante a felicidade.

A avareza é um atributo triste, porque está puramente associado à satisfação de ganhar e o medo de perder, sem relação com a felicidade ou o bem-estar.

Tem a ver com a baixa auto-estima e a necessidade de se completar com o valor material, e principalmente monetário, financeiro.

A avareza contamina tudo que o indivíduo faz na vida, e a máquina de contar as moedas entra em cena em todas as decisões.

Diferente da esteira hedônica, que escraviza a pessoa pela necessidade permanente de adquirir e possuir, a avareza não está associada a adquirir, mas a pesar o que vai ganhar ou perder em termos monetários, sem sequer avaliar a implicação real para si mesmo.

Digo que a avareza é triste porque as escolhas feitas sob a ótica da avareza, raramente são compatíveis com os objetivos de bem-estar e felicidade.

As pessoas continuam preocupadas com os tostões mesmo quando eles não fazem qualquer diferença na própria vida.

Um pouco a mais, um pouco a menos não faz nenhuma diferença na vida de muita gente que ainda se preocupa permanentemente com os tostões.

Já a ambição é diferente, e tipicamente nos jovens, é algo positivo e impulsiona para aprimoramento, o estudo, e o empenho para progredir na vida.

Preste atenção se você não está sempre contando os tostões em todas as decisões.

Isso tem remédio, e dá pra consertar.

O sucesso não está em acumular os tostões, mas em fazer aquilo que gosta.

Primeiramente, aprenda a lidar com o medo de perder.

1-Exercite negociando coisas, ganhando ou perdendo, sem contar cada centavo na negociação. Deixe a coisa mais solta.

2-Não estabeleça um limite rígido para perder. Isso pode ser ruim em algumas circunstâncias, mas para o avaro, é um bom exercício.

3-Estabeleça um plano de negociação. Não deixe para sentir o frio na barriga do perde e ganha, na hora do negócio.

4-Estabeleça o que quer ganhar ou o que está disposto a perder antes do negócio, com alguma flexibilidade.

Isso é um bom exercício para lidar com o medo.

Uma vez feito o negócio, deixe de lado as alternativas descartadas.

Se você fica obcecado com o preço que pagou pela televisão quando comparado com os preços que encontrou depois da compra, acenda a luz amarela.

Se você é inflexível na divisão da conta do restaurante até no nível dos centavos, acenda a luz vermelha.

Faça o exercício.

Se livre desse comportamento infeliz.

Beco

Dinheiro não traz felicidade.

Se o dinheiro trouxesse felicidade, os ricos seriam todos felizes.

Sabemos também que a felicidade pode ser atingida por ricos e pobres.

Não devemos colocar o dinheiro como primeira prioridade na nossa busca pessoal, pois esta é a armadilha número um para ficar para sempre aprisionado na esteira hedônica.

Dinheiro pode ajudar a mecânica do dia-a-dia, trazer mais conforto, abrandar uma necessidade orgânica, mas por si só não traz felicidade. Dinheiro pode tornar sua vida mais fácil, mas chega a um ponto onde mais ou menos dinheiro não faz a mínima diferença sequer para o seu conforto pessoal.

Quando nos acostumamos a olhar só o cifrão – $$$ – entramos num circulo vicioso, ou numa corrida, na qual nos comparamos com os outros que igualmente encaram a vida como uma corrida de cavalos.

Um artigo antigo da Newsweek aborda bem essa discussão.

Segundo o autor do artigo, essa questão se o dinheiro traz ou não a felicidade, não tem uma resposta segura.

A Newsweek apresenta o resultado de pesquisas do nível de felicidade em países e grupos sociais com alguns números curiosos.

Os multimilionários americanos apresentam o nível de 5,8 (na escala de 1 a 7), ao passo que o povo de Calcuta apresenta 2,9, o que pode indicar que dinheiro traz felicidade.

Por outro lado, outros grupos diversos dos aquinhoados americanos também apresentam o mesmo índice 5,8, são eles os Inuit que vivem debaixo de gelo no nordeste da Groelândia e os nômades Masai do Kenya, que vivem sem eletricidade ou água encanada potável.

Um ponto interessante do artigo é sobre o dinheiro e escolha.

Quando olhamos os povos desenvolvidos, percebemos que os indivíduos parecem mais felizes, pois podem escolher entre as inúmeras opções do que fazer com o dinheiro.

Porém, os resultados mostram que povos com quase nenhuma escolha também apresentam índices elevados de felicidade.

De tudo que já apresentamos nesse blog, sabemos o quanto podemos complicar a nossa busca pela felicidade.

Segundo os especialistas Seligman e Diener, a atitude materialista por si só já exerce uma influência negativa no bem-estar e na felicidade.

O dinheiro pode facilmente nos escravizar.