O sol, meu coração.

Aquilo que carregamos no coração é aquilo que enxergamos no mundo, por exemplo, o sol que nos dá vida.

Como nos ensina o monge Thich Nhat Hanh, somos uno com o universo. Ele faz a analogia do sol que dá vida a tudo que alcança, sem o que tudo seria escuridão, sem vida, conectado ao nosso coração, sem o qual não teríamos vida. O coração para de bater, e a vida se esvai.

O sol e o coração estão conectados no que Hanh chama de interexistência e interpenetração.

Serenidade:

É preciso serenidade para perceber que os fenômenos trabalham a nosso favor, pois somos interdependentes, e uma parte não opera em destruição do outro, desde que estejamos em harmonia.

Conta o monge, uma história de três crianças que brincaram e correram, e retornaram quando sentiram sede. O monge pegou uma garrafa de suco de maçã que havia preparado e verteu em três copos e ofereceu às crianças. As duas primeiras tomaram logo o suco e voltaram para a brincadeira, mas a terceira, vendo que o seu suco de maçã continha um pouco de sedimento, por se tratar do último líquido na garrafa, se recusou a beber.

Passado um tempo, a criança que nada bebeu, voltou para pedir por água. O monge disse que ela poderia escolher o suco de maçã, e ofereceu um copo com suco. O mesmo copo que ela havia recusado, agora com as partículas de maçã sedimentadas no fundo, lhe pareceu atrativo. Ela tomou, gostou e perguntou. É um outro suco?

Na vida da gente, inúmeros eventos e coisas podem passar de desprezíveis para agradáveis e desejáveis, se deixarmos que a serenidade coloque tudo no lugar, deixe as partículas se sedimentarem no fundo.

O sol e o coração em harmonia:

Precisamos nos harmonizar, deixando que o nosso coração e o sol sejam uma coisa só. Que tudo que existe fora de nós, tenha conexão e familiaridade com o que está no nosso coração.

A vida pode nos parecer dura, e temos um lampejo de raiva, imaginando que tudo conspira contra nós – o mundo se virou contra mim.

Esse pensamento é equivocado, e é preciso buscar, com a serenidade, que tudo volte a se conjugar.

Precisamos nos acalmar, deixar que os problemas durmam uma noite, e de manhã, o nosso suco de maçã vai parecer outro.

R.S. Beco

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