O medo dos outros

Muitas vezes nos munidos de coragem suficiente para a empreitada, mas somos bombardeados pelo medo dos outros, e isso acaba nos afetando.

Você vai se lembrar de algumas pessoas que você conhece, e que costumam fazer as seguintes perguntas quando você conta sobre o seu projeto:

Você é muito jovem, será que vai conseguir?

A sua experiência é limitada, será que você vai dar conta?

Muita gente dá com os burros n’água, será que você vai ter êxito?

Negatividade:

Essas pessoas, quando não perguntam, afirmam coisas como estas:

O mar não está para peixes, e acho que a chance maior é de não dar certo.

Conheço muita gente como você que acabou na miséria.

Não digo que devemos fechar os olhos e ouvidos para os perigos que rondam o nosso caminho. No entanto, temos que evitar que o medo dos outros nos paralisem, e as pessoas adoram despejar os próprios medos nos outros. É um comportamento corriqueiro que não precisamos procurar muito para encontrar.

Somos seres moldados para o medo, e isso é o que nos trouxe aqui após milhões de anos de evolução. Mas é importante entender que a imediata propensão para experimentar o medo que está gravado no nosso cérebro límbico, é desproporcional diante da realidade do homem moderno.

O nosso cérebro racional está louco para dar um pouco de razão ao seu cérebro emocional. Mas a ciência mostra que o último é muito rápido em alterar o seu batimento cardíaco, esfriar a sua pele, e provocar tantos danos ao seu organismo. Dentre tantos, atrapalhar a digestão, reduzir a libido, complicar a memória e prejudicar a saúde como um todo.

Robert Sapolsky:

Esse processo é brilhantemente explicado pelo prof. da Universidade de Stanford, Robert Sapolsky no imperdível livro “Porque as zebras não tem úlceras”. O livro deve ser lido por todos que querem compreender cientificamente porque nos comportamos dessa maneira.

A abordagem rocambolesca de Sapolsky lhe rendeu o título de Woody Allen da neurociência.

Mas voltando aos outros, temos que calibrar a nossa atitude para reagir serenamente quando os outros tentam nos contaminar com o medo. Muitas vezes isto é infundado, sem base nos fatos. É simplesmente reflexo do próprio medo que não foram capazes de gerenciar.

Sinta medo sim, mas tenha a capacidade de agir a despeito dele.                                R.S. Beco

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