O julgamento – um abismo entre as pessoas.

Um péssimo defeito de caráter é o julgamento que fazemos dos outros.

Estamos na rua e estamos julgando a roupa dos outros, a barba mal feita, o gordo, o magro, a feia, enfim, coisas que não nos dizem respeito.

Diferente de julgar o comportamento descuidado e perigoso, o ato ilícito e criminoso, ou a agressão ou ofensas diretas.

Mas o nosso julgamento vai muito além, facilmente vestimos o uniforme de juiz do mundo.

Prepotência:

Para tudo e para todos, temos um veredito pronto, imediato e contundente.

A raiz de tudo isso é a nossa prepotência.

Nós, em cima do nosso pedestal de pessoa perfeita, faríamos diferente, correto, impecável.

Mas o infeliz que está à minha frente, incompetente e descuidado só poderia mesmo fazer essa asneira.

Essa prepotência leva à culpa dirigida a si próprio, pois fazemos em nós mesmos, o julgamento desmesurado que fazemos aos outros.

E no final, chegamos à impotência, decepção com nós mesmos, e a consequente infelicidade.

Há dois tipos de impotência. A primeira é saudável, aquilo que prega a oração da serenidade, que e compreender exatamente aquilo que está ao nosso alcance e reconhecer e aceitar a nossa impotência diante daquilo que está fora do nosso controle.

Controle:

A chuva e o vento que assola a cidade estão totalmente fora do nosso controle.

O que faz e decide a outra pessoa também está fora do nosso controle.

Não somos ajudantes de Deus. Não temos uma carteira de trabalho assinado por São Pedro.

Às vezes, é preciso estar de joelhos para entender o verdadeiro significado dessa impotência.

Já, a outra impotência, que se inicia na prepotência, passa pela culpa e termina na decepção e infelicidade, é diferente.

É a impotência de constatar, que eu, poderoso que sou, onipotente que sou, não estou sendo capaz de mudar o curso do universo.

E nesse universo, estão incluídos o comportamento das outras pessoas, sua forma de pensar e escolher, as instituições, os governos, os governantes, a civilização e a humanidade.

Algumas reflexões:

-a semente vai demorar a germinar – eu não tenho controle.

-o amigo escolheu mudar de emprego – eu não tenho controle.

-a pessoa escolheu me culpar – eu não tenho controle.

-estou me sentindo culpado – tenho controle.

-fiquei com raiva – tenho controle.

Resumo: tenho controle sobre mim, meus pensamentos e minhas atitudes – não tenho controle sobre as outras pessoas e muitas coisas que acontecem à minha volta.

A sabedoria para entender isso vem com a prática permanente da oração da serenidade.

Beco

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