O carinho que não recebi.

Me parece às vezes que alguma coisa ficou faltando, e que não recebi a parcela de carinho que me cabia.

Quando somos criados em uma família grande, é inevitável sentir que fomos o filho renegado, e que o ônus ficou um pouco maior para nós, e o bônus ficou um pouco desequilibrado para o lado dos outros.

Esse sentimento pode se prolongar longe na vida, contaminando as relações no trabalho e também na nova família formada.

Essa carga emocional negativa e desnecessária, nos premia com aquela dor repentina no peito e uma sensação de desamparo sem que nem porque.

O passado já passou:

Dentre as coisas que devemos deixar passar, até porque o passado já passou, é esse sentimento de que alguma coisa ficou faltando lá no passado.

O passado não deve representar uma assombração, que para o nosso desespero e insatisfação, nos visita com cobranças e dívidas para nós e também para os outros.

Devemos olhar o passado com a atitude de reminiscências, boas lembranças, eventos alegres e construtivos. Eles explicam a pessoa que somos hoje, o caminho, a aprendizagem.

Mesmo quando evitamos a culpa, mas experimentamos algum sentimento de falta, é sinal de que devemos deixar ir aquilo que ainda pesa negativamente nas nossas emoções.

Olhar o passado como se pudéssemos completa-lo agora, nos tira a oportunidade de completar o presente e mudar o nosso futuro.

Libertação:

O passado não deve nos imobilizar, não deve representar um fardo que carregamos para sempre – temos que nos libertar.

O carinho que pensamos ter nos faltado no passado, pode muito bem ser suprido nos relacionamentos de agora. Temos que, para isso, abrir o nosso coração, e se dedicar aos outros com amor e honestidade.

As coisas boas acontecem às pessoas boas, e aquelas carinhosas, certamente receberão o carinho que generosamente oferecem.

Carinho é bom, e devemos todos receber, indistintamente de quem somos.

Hoje, consigo olhar o passado com mais aceitação. Mesmo que em alguns momentos ressinta de alguma coisa, sei que um dia terei a serenidade suficiente para deixar passar.

Um dia de cada vez, sei que posso viver com alegria, à despeito de perdas e dificuldades.

R.S. Beco

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