Não preciso cair para ver o buraco.

É evidente que vejo o buraco depois que caio nele, mas não preciso cair para ver o buraco.

Se estiver atento no meu caminho, devo ser capaz de antecipar e desviar dos buracos na estrada.

Se estiver atento à minha vida, os meus passos, vou poder evitar muitos tropeços e quedas.

Por outro lado, se estiver olhando mais para a vida do outro, dando palpites nos buracos e dificuldades que ele enfrenta, vou sem dúvida me surpreender com muitas quedas eu próprio.

Problemas de sobra:

Já temos problemas de sobra e não devemos perder tempo se metendo na vida dos outros, julgando e condenando os outros pelos erros que cometem e pelas quedas que sofrem.

Ninguém tem autoridade para dizer o que é certo e errado para o outro, e se colocar no lugar de juiz é desperdiçar tempo e energia que bem poderia utilizar para cuidar do seu próprio caminhar.

O caminho da vida é mesmo acidentado. Impressionante como encontramos cascas de banana e calçadas desniveladas. Coisinhas à toa, mas atrapalham um bocado a nossa desenvoltura. Nada sai fácil. Nenhuma empreitada chega ao final sem inúmeras cabeçadas. Mas não podemos reclamar, a aprendizagem é glorificante, pois saímos fortalecidos depois de tudo isso.

Sempre falta alguma coisa. Tem sempre uma ajuda que fica na dosagem mínima, e temos um trabalho redobrado para compensar.

Por outro lado, temos surpresas positivas também, e de repente conhecemos pessoas, que não só nos estendem a mão quando estamos em dificuldade, mas se tornam amigos do peito, quem sabe, para o resto da vida.

Mas os buracos são buracos, e não posso tirar os olhos atentos do meu caminho. Não me incomodo de enfrentar as dificuldades, pois sei que nada vem fácil, mas quero evitar as quedas, escoriações e arranhões.

R.S. Beco

Sem Comentários

Deixe seu comentário

Deixe uma resposta