Me conte a desgraça do outro.

Impressionante como a desgraça do outro dá audiência.

Gostar de sentir pena dos outros.

Querer olhar os outros por cima dos saltos altos.

Quero ver como eles são desgraçados, coitados e desventurados.

Como é que tanto sentimento negativo pode caber dentro da gente?

Antídoto:

Para todo sentimento negativo de pena, tem um antídoto – é a compaixão.

Pensava eu que pena e compaixão eram a mesma coisa, mas aprendi que um é o veneno e o outro é o antídoto.

Muita desgraça alheia acaba servindo para alimentar esse sentimento baixo, a pena das pessoas de cima dos saltos altos.

É um contrassenso que o sentimento baixo e rasteiro ocorra exatamente quando nos colocamos por cima das pessoas.

Por outro lado, o sentimento nobre da compaixão, ocorre quando nos colocamos lá embaixo, junto da pessoa caída em desgraça e sentimos o cheiro do sangue, do sofrimento e da dor.

Compaixão quer dizer, sofrer junto, e é preciso sentir a dor e desejar que ela cesse, para saber exatamente o que é compaixão.

A pena é também acompanhada de indiferença e até mesmo de repulsa.

Sentimos pena, quando nos colocamos superiores aos sofredores e não queremos sequer ser incomodados por tal sofrimento.

Não gostamos nem de olhar, quanto mais sentir e sofrer junto.

Quem sofre junto imagina alguma maneira de ajudar.

Quem é tocado pelo sentimento de pena, quer logo se afastar dali e se livrar da incomoda imagem do sofredor.

E o mais importante, é que a compaixão para com o sofrimento alheio é um sinal de que também experimentamos a autocompaixão, um sentimento tão valioso quando nos tratamos com honestidade, dignidade e compreensão.

O mesmo sentimento negativo e rasteiro que sentimos dos outros, sentimos de nós mesmos.

Sentimos pena dos outros e fugimos do contato com estes.

Sentimos pena de si próprio e por não conseguir fugir, faltamos com a generosidade, honestidade, apoio e compaixão.

Beco

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