Longe da aglomeração das ruas.

Quando estamos no campo, na tranqüilidade da nossa casa, encontramos a paz necessária para uma introspecção e mergulho no nosso íntimo.

No burburinho dos cafés, na agitação dos shows e das festas é praticamente impossível refletir sobre algo profundo. É claro que o momento é de curtir a movimentação.

Mas quando se trata de reflexão, de buscar a serenidade, precisamos da calma do nosso cantinho, de um retiro.

Alguns amigos têm participado de retiros espirituais, e acredito que eu mesmo vou experimentar um dia desses.

Para mim, a manhã de domingo, quando escrevo as postagens da semana é um momento de muita calma e isolamento. É um momento quando até os cachorros se aninham e se calam como se tivessem alcançado a serenidade desejada.

Como lembra Thich Nhat Hanh no seu livro Paz a Cada Passo, os sentidos são as janelas para o mundo. Se deixamos sempre as janelas abertas, o vento entra e desarruma as coisas em cima da mesa, os sons e o barulho nos perturbam.

Há pessoas que deixam sempre as janelas abertas com o medo do isolamento e da solidão, e assim ficam permanentemente com os sentidos ocupados com os estímulos externos.

Precisamos fechar as janelas para permitir que os nossos sentidos se voltem para o nosso eu interior.

Precisamos fechar as janelas para deixar a poeira se assentar.

Lembra ainda o monge, que cada minuto é um milagre, e a correria do cotidiano não nos permite usufruir plenamente cada momento. Estamos sempre comendo o prato principal pensando na sobremesa. Vamos ao teatro e pensamos no que se passa em casa. Estamos no trabalho pensando no congestionamento do trafego ao sair.

Estamos correndo de objetivo em objetivo, sem apreciar o caminho, o trajeto.

Parar por um momento, reduzir o ritmo parece sempre uma resistência à vida moderna, um ato de rebeldia digno de punição, mas é sim, uma trégua para si mesmo, um conforto e uma recompensa.

Quando fazemos isso por um dia, uma hora, um momento, os próximos passos ganham sentido, os propósitos e objetivos se tornam claros e a vontade é revigorada.

Beco

1 Comentário

consolacao

about 7 anos ago

Presado Beco, Seus escritos são uma bênção. é bom ler para relembrar que, embora saibamos estas coisas,esquecemos de colocá-las em prática. Essas leituras têm me ajudado muito a refletir sobre coisas e situações. Por exemplo, quando saio de casa atrasada, a tendência é ficar irritada com as pessoas que andam devagar à minha frente, ou com o trânsito congestionado. É aí que entra a meditação. Penso comigo mesma: As pessoas tem culpa por eu estar atrasada? O motorista é culpado? Na verdade a culpa é minha e se eu pensar assim, não vou me irritar com ninguém e tento nao me irritar comigo mesma. Foi algo que posso evitar da próxima vez, ou se não foi por minha culpa, não importa, de qualquer forma chegarei ao meu destino. No final, a minha persistência na meditacão me acalma, e o dia corre tranquilo. Obrigada.

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