Histórias que contamos uns aos outros.

Contamos histórias honestas, engraçadas e plenas de significado e com elas aprendemos as lições uns dos outros.

Outro dia, tomei um taxi de Ipanema para o Botafogo. Deveria tomar ter tomado o ônibus, mas a pressa era enorme.

Pedi para me levar à igreja de Santa Terezinha junto ao shopping Rio Sul, no que o motorista replicou: ”está com Deus está bem”. E prossegui numa conversa vinculada à Tereza de Lisieux, a jovem francesa que deixou este mundo muito cedo. Hoje a conhecemos como Santa Terezinha do Menino Jesus.

Ele me perguntou: “o senhor é padre?” Respondi que não, mas tinha uma grande admiração pela santa.

Ele comentou: “se o senhor fosse padre ia me abrir com o senhor…”.

Um bom conselho:

Uns segundos de silêncio se seguiram e ele afirmativamente disse: “mas vou me abrir com o senhor de qualquer maneira, pois vejo que o senhor é uma pessoa religiosa”.

E a conversa foi longa, os problemas conjugais depois de mais de trinta anos de união, filhos e uma vida de amor e parceria.

Ouvi com atenção, fiz algumas perguntas e, despretensiosamente, com o cuidado para não me imiscuir na vida alheia, ponderei, recomendei algumas coisas. A conversa durou enquanto durou a corrida.

Quando chegamos à igreja comentei: “pronto, estou em casa”.

Ele me agradeceu de coração os conselhos que havia recebido. Segundo ele, as observações e questões o fizeram enxergar um pouco além dos problemas.

Aprendi que precisamos conversar mais, comentar as dificuldades que vivemos, antes que tudo vire uma crise dramática.

Temos amigos e familiares e por vezes não enxergamos que devemos procura-los, afinal, não queremos nos expor, não queremos parecer fracos ou incompetentes.

Mas o fato é que aprendemos uns com os outros, com as experiências já vividas, problemas resolvidos, e reflexões que fazemos juntos.

Os problemas, especialmente aqueles de relacionamento familiar nos levam facilmente à ruminação. Senti que aquele senhor, preso ao taxi o dia inteiro, encontrou os ingredientes para alimentar esse pensamento circular. Isso o limitou de enxergar algumas coisas que estavam bem à sua frente que eu fiz apenas apontar.

Acho que ajudei, e fui ajudado ao aprender um pouco mais sobre a generosidade e afeição que podemos praticar no nosso cotidiano.

R.S. Beco

Sem Comentários

Deixe seu comentário

Please be polite. We appreciate that.
Your email address will not be published and required fields are marked