Difícil enxergar o óbvio

Na obviedade podemos encontrar, escondidas, as grandes lições.

Recentemente assisti um filme que conta a história de Dogen o grande mestre budista do século XIII. No decorrer da história, compreendemos a dificuldade que qualquer um tem de enxergar o óbvio, que no filme é ilustrado em várias passagens, de diferentes maneiras.

Enxergar as estações do ano, as variações é algo óbvio, mas aceita-las como são, é uma lição escondida no óbvio. Não podemos mudar, ou inverter as estações, pois isso está fora do nosso alcance.

A nossa realidade é repleta de coisas que não podemos mudar.

O esforço mais grave e inútil que insistimos em empreender é o de querer mudar as outras pessoas.

Muito julgamento:

Julgamos as pessoas e rapidamente enquadramo-las segundo o nosso padrão de perfeição, imediatamente nos metemos a querer muda-las. Mas pessoas são como são, e se alguma mudança vai ocorrer, cabe a ela iniciar e realizar.

Somos seres independentes e essa individualidade não deve ser invadida. Cada um é o que é, já sabemos, mas nos recusamos a aceita-las como são.

A realidade é em grande parte inevitável, nascemos, envelhecemos e morremos. A nossa capacidade física é reduzida e o vigor não é o mesmo de quando éramos jovens. Isso é óbvio, mas temos que aceitar.

O nosso olhar foi treinado para passar por cima das coisas óbvias. Damos como certas e sequer questionamos o que temos ou não temos controle, e isso é uma fonte de frustração e estresse.

Outra coisa óbvia é o sofrimento, que é parte da realidade humana. Acreditamos na obviedade do sofrimento enquanto isso não acontece conosco. No entanto, quando o evento acontece com a gente, nos apressamos a praguejar contra Deus e contra todos.

Sei que é fácil dizer e difícil de exercitar, e aprendi no filme Zen que isso pode ser difícil até para o mais santo dos homens, mas temos que perseverar, pois nisso está o nosso crescimento pessoal.

R.S. Beco

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