De repente – uma inquietação.

Queremos sempre que o céu seja de brigadeiro – sem nebulosidade, sem chuva, nada de tempestade.

Mas às vezes, sem bem entendermos direito, um vento pode nos desequilibrar.

Tocamos a vida tranquilamente, mas de repente, uma inquietação, como se tudo estivesse errado, ou tivéssemos dirigindo pelo acostamento.

Me lembro quando era garoto e ia para a escola de bicicleta. De repente, era atingido por um vento irregular e muito forte, e parecia que eu ia para o chão, mas me mantinha firme, calmo, nada de movimentos bruscos, os braços firmes na direção e tudo acabava bem.

Me sinto assim às vezes. Parece que tudo começa a dar errado. A saúde começa a derrapar, o trabalho também fraqueja, e o caminho, antes seguro, começa a mostrar preocupação.

Sei que é ora da oração da serenidade, e saber que nada se resolve da noite para o dia.

Paciência:

Há que se ter paciência.

Os meses passam rápido, e já estamos no meio do ano – tudo vai se resolver com o tempo.

A vida é assim mesmo – nem sempre nos sentimos seguros.

Aprendi que a vulnerabilidade é parte da condição humana, e saber que somos vulneráveis, nos torna mais abertos para as experiências.

A vulnerabilidade abre os nossos sentidos para uma vida plena.

Ao passo que a armadura, embora tenha o propósito de nos proteger, nos isola do mundo, das pessoas e das experiências.

Hoje, com aquilo que aprendi, não quero mais uma proteção contra tudo. Sei que a condição para viver, sentir e aprender, é também se expor, se ferir, experimentar a dor.

No final, entre contratempos e comemorações, a vida é abundante.

Novidades alvissareiras, amigos antigos que estabelecem contato, caminhos novos que podem se revelar e oportunidades que podem se concretizar.

O desconforto nos move para um novo momento, um novo lugar, uma nova condição, uma nova lição.

Beco

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