Com pena de si mesmo.

Sentir pena de si próprio é um negócio bem estranho.

Por um lado é um hábito negativo de querer chamar atenção para o coitadinho, o esquecido de todos.

Por outro lado é o egocentrismo de querer ser o centro das atenções, ainda que por razões desprezíveis.

Num extremo, aquele que desenvolve esse tipo de comportamento, deve procurar ajuda profissional, mas todos temos um pouco disso, mesmo que tenuamente.

Nesse caso, vale algumas recomendações:

Sentir pena de si próprio pode virar uma bola de neve, pois acabamos desenvolvendo um processo quase como uma dependência química, onde precisamos urgentemente um consolo quase depreciativo, e sentimos logo uma postura de mendicância emocional.

Nem bem começamos a falar com o outro e já fazemos menção de colocar uma coroa de espinhos na própria cabeça.

Devemos colocar muita atenção quando essa atitude aflora. Temos que esconder a coroa de espinhos, evitando falar dos problemas todo momento.

Quando o outro fala de alguma problema ou dificuldade, não se meta a falar imediatamente do seu, como se o seu fosse muito maior e muito pior.

Isso não é nada, você precisa ver o que aconteceu comigo hoje pela manhã – e sai contando a sua desgraça mais desgraçada.

A autoestima está lá embaixo.

A comunicação fica totalmente contaminada, pois só cabe falar de problemas, fatalidades e infortúnios.

Se você conseguir perceber que vai entrar nesse carrossel, já é meio caminho andado. Não entrar no carrossel, divergindo para outro assunto, outra conversa é o objetivo.

Exercite aos poucos. Sinta a alegria e bem-estar que é não falar da sua desgraça. Você vai se sentir cada vez menos desgraçado, e consequentemente, mais e mais feliz.

Observe se a pena de si próprio não vem acompanhada de raiva, inveja, ciúme e ressentimentos. Elimine um por vez, substituindo-os por pensamentos e atitudes positivas.

A gratidão é um antídoto poderoso. Seja grato por tudo que tem. Agradeça na primeira hora do dia – todos os dias.

Sentir pena de si próprio é como tomar um gole de um frasco de veneno que nunca se acaba. Jogue isso fora de uma vez por todas.

Beco

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