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Você tem a chave dos seus grilhões.

Embora não sejamos escravos no sentido do cerceamento físico e da liberdade, temos inúmeros elementos que de uma forma ou outra nos escravizam.

O trabalho, os compromissos sociais, os compromissos familiares, o crescimento profissional e os planos de acumulação de riqueza financeira.

Chegamos à vida adulta tão desprotegidos, que rapidamente nos tornamos escravos de diversos mecanismos de sujeição, alguns até desumanos.

A sociedade de consumo nos oferece vários grilhões que escolhemos voluntariamente nos submeter.

Alguns grilhões são chamados até de algemas de ouro (golden handcuffs), isso porque nos sujeitamos pensando nos benefícios futuros, na maioria das vezes, puramente financeiras.

O blog Serene Journey faz uma reflexão interessante sobre as algemas de ouro – A Maldição das Algemas de Ouro – The Curse of the Golden Handcuffs.

Olhe as algemas como uma escolha sua, e não encha de glamour a alternativa como se fosse chique se adornar com tal dispositivo.

Reavalie o seu estilo de vida, pois provavelmente tudo isso aconteceu de maneira gradual que você nem teve tempo de reagir. Te colocaram as algemas e você nem se deu conta.

Reduza ou elimine suas necessidades de consumo de modo a tornar palatável a escolha de se livrar das algemas.

Devemos reavaliar a nossa vida, inclusive quando educamos os nossos filhos, podemos estar colocando neles, desde cedo, os grilhões do materialismo, da moda e dos modos sociais exacerbados.

Junto com isso, vem a ganância, a arrogância e a cobiça.

Cada coisa tem o seu devido lugar; dinheiro, sexo, vida social, moda, aparência e status.

Tais recursos, quando potencializados, se tornam armadilhas que devemos evitar.

Chama a atenção a postagem no blog The Rat Race Trap, que devemos reconhecer que conseguimos sobreviver sem as algemas.

Assim como algumas pessoas enchem o prato de comida e dizemos – tem o olho maior que a boca, para outras pessoas, comentamos que os olhos são maiores que o seu contracheque (paycheck).

O alerta do artigo é que devemos ficar longe das algemas de ouro, pois no começo parecem atraentes, mas depois fica dificil de se livrar.

Beco

Libere-se do supérfluo.

Faça uma faxina na sua casa emocional.

Libere-se da carga inútil e desnecessária.

Isso vale muito bem para as coisas materiais e mais ainda para as coisas imateriais.

Libere-se do ciúme da inveja e da raiva.

Faça como as árvores que liberam as folhas mortas no outono, prontas para receber as folhas novas e viçosas da primavera. Elas sabem que isso é uma condição fundamental para se ter flores e frutos na nova estação.

Já comentei sobre se ver livre das ervas daninhas da vida, e também sobre o garbage truck.

Plante as plantas corretas para colher felicidade.

Você colhe o que planta. Não plante tomates e espere colher alface.

Parece um conceito simples e direto, mas temos um péssimo hábito de cultivar a inveja, a culpa e o ressentimento com a expectativa de colher satisfação, respeito e realização.

Faça uma faxina geral.

Assim como limpamos os armários, jogando fora o que não tem mais uso, devemos fazer isso no nosso armário interno.

Os pensamentos negativos são como pedras na nossa mochila.

Alguém pode questionar: se vou me livrar de tudo isso, o que vai restar?

Será que a nossa vida é assim tão vazia?

Será que carregamos na nossa mochila somente o supérfluo e o desnecessário?

Onde estão nossas amizades, as nossas realizações de que tanto nos orgulhamos, as habilidades que desenvolvemos e os valores que nos são caros?

A vida pode e deve ter um significado mais profundo.

As ilusões que carregamos não têm uso prático.

Como diz Robert Holden, aquilo em que você coloca a sua atenção, se torna familiar, e aquilo que lhe é familiar vai parecer também real.

Quando nos referimos a coisas materiais, acumulamos coisas supérfluas que viram um entulho e atrapalham a nossa vida, deixamos de nos livrar do lixo por uns dias e o mau cheiro se espalha pela casa toda.

O mesmo fenômeno acontece com o supérfluo, o entulho e o lixo emocional.

Não se livrar dos sentimentos negativos do descaso, desapontamento, decepção, insegurança, faz com que sejamos consumidos pela amargura drenados na nossa auto-estima.

Faça uma faxina na sua casa física.

Faça uma faxina na sua casa emocional.

Beco