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Quando você é ferido.

Quando você é ferido, você já sabe a reação – todos nós sabemos o que se passa conosco. Quando somos feridos, e sempre é a história do bandido e mocinho, alguém, o bandido, fere alguém propositalmente, o mocinho.

Temos que saber imediatamente de onde partiu a agressão, pois se ficarmos distraídos, resmungando, vai acontecer de novo.

Temos que manter a cabeça erguida, mesmo quando somos agredidos, e isso vale especialmente quando os golpes são baixos. Você recebe um golpe baixo, fica de autoestima baixa, abaixa a cabeça, e sabe muito bem aonde vai levar o próximo golpe.

Por outro lado, sempre nos posicionamos como o cordeiro inocente e desavisado que foi agredido injustamente. Sabemos no entanto, que não somos assim tão puros, e mesmo involuntariamente podemos ter provocado esta reação, esta agressão.

Viver e sobreviver.

Nem tudo que precisamos para viver faz sentido para sobreviver e vice-versa.

Quando lutamos para sobreviver, temos que descartar muitas coisas e pensamentos e cuidar para que os recursos essenciais sejam providos, abrigo, comida e segurança. É mais ou menos evidente que quando estamos vivendo no modo de sobrevivência, a nossa mente não consegue atinar para outras coisas.

Por outro lado, quando conseguimos níveis suficientes de recursos, temos que alternar a nossa mente para o modo viver. Do contrário vamos provocar desequilíbrios na vida, no organismo físico e na saúde.

Um exemplo claro é quando o organismo está em modo de sobrevivência. Nessa situação, ele procura otimizar o uso da energia e armazena tudo que consegue em forma de gordura naqueles pneuzinhos que você detesta.

A dor que vem do passado.

E quando é uma dor que vem do passado para nos incomodar?

Quanta coisa do nosso passado aparece na hora errada para nos assombrar, trazendo a culpa, a raiva e ressentimentos.

Temos que nos livrar dessa sensação, praticar o perdão, não só para os outros, mas também para si mesmo.

Inevitável revisar o nosso passado, e o valor benéfico é indiscutível quando rememoramos fatos alegres e realizações.

Mas o passado tem o péssimo costume de vir travestido de pensamentos negativos sobre os outros e sobre si mesmo.

Ajude quem está em sofrimento.

Quando alguém te impõe algum sofrimento, olhe para ver se ela não está em sofrimento. Pode ser porque o sofrimento dela mesmo não consiga ser contido e acaba espirrando em você. Quando isso acontece, temos o ímpeto de revidar, de impor a ela mais sofrimento. Pense um pouquinho se o melhor não é ajuda-la. Oferecer alguma forma de apoio para que o sofrimento dela própria possa ser amenizado.

Pense numa situação em que seu ente querido está em sofrimento. Qual o tipo de providência você tomaria para aliviar o seu sofrimento?

Quando a situação for semelhante com alguém que te coloca em sofrimento, faça alguma analogia. Pense um pouco mais na cura e não no sofrimento.

Penso não mais sofrer.

Penso não mais sofrer. É certo que não queremos mais sofrer. Será que é possível se viver uma vida sem sofrimento?

O que será que isso significa?

Diz o budismo que a única coisa comum entre os homens é o sofrimento.

Costumamos dizer ainda que a dor é inevitável mas o sofrimento é opcional.

Viver é sofrer, e encontramos contentamento quando aprendemos sobre o significado do sofrimento.

Somos iguais no sofrimento.

Os homens são iguais no sofrimento, e por isso, a maior virtude é o exercício da compaixão.

Sentir a dor do outro e ter uma urgência de fazer alguma coisa para que essa dor cesse, é a experiência da compaixão.

Essa cultura do materialismo, status e correria sem limites em cima de uma esteira hedônica, nos leva a crer que podemos ser superior em alguma coisa. Adquirimos o costume de olhar os outros de cima para baixo, mas tudo isso é uma ilusão.

A vida impermanente.

A vida não é permanente, sabemos disso, mas agimos que se fosse durar para sempre.

Desperdiçamos nossos dias com coisas fúteis e desnecessárias, como se fossemos durar para sempre. Agimos como se tivéssemos direito a um tempo adicional para cuidar de si mesmo.

Vale sempre lembrar a afirmação de Gretchen Rubin de que os dias são longos, mas os anos são curtos. A vida passa muito rápido, e ninguém quer chegar ao final com as duas grandes decepções: perceber que a velhice chegou muito cedo, e a sabedoria chegou muito tarde.