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Traga de volta as lembranças felizes

Traga de volta as lembranças felizes

Faça um esforço para trazer de volta as lembranças felizes. Sempre quando arrumamos a nossa casa ficamos no dilema de guardar ou descartar alguns objetos que pertenceram aos nossos antepassados.

Tenho objetos que pertenceram aos meus avós, aos meus pais que já se foram, e gosto muito de trazer as boas lembranças que este objetos me remetem. Acredito que todos vivenciam o mesmo tipo de experiência no seu cotidiano.

Isso acontece quando reencontramos familiares

Expectativas de criança – dificuldades de adulto.

Temos às vezes uma vontade de voltar a ser criança e se livrar de tantos problemas que temos no nosso dia-a-dia.

Mas temos também que reconhecer que não temos mais os medos e receios de crianças, de ficarmos desamparados de repente ou sermos esquecidos no shopping-center.

Acho que é inevitável carregarmos algumas preocupações de criança, enquanto enfrentamos as dificuldades de adulto.

O medo de não sermos amados, não sermos reconhecidos, enfim, qualquer coisa que exija uma atenção enorme por parte dos outros.

Não é nada pessoal.

Observamos a montanha, majestosa e devemos mirar no seu exemplo quando se trata de enfrentar as adversidades da vida.

É uma metáfora muito boa.

Ela é bombardeada milhões de vezes pelos ventos, tempestades, granizo, e continua impassível, elegante, humilde, mas portentosa. E o mais importante, ela não leva nada pelo lado pessoal, eu imagino.

O mesmo não acontece com a gente. Qualquer coisa que acontece de errado, temos uma tendência de levar para o lado pessoal.

Os tempos felizes que vivemos juntos.

Os tempos felizes que vivemos, que benção. Os meus pais já se foram, mas as lembranças felizes de inúmeros momentos mágicos ficaram na minha lembrança.

Dizem que a vida não é o que vivemos, mas o que lembramos que vivemos. Eu mesmo faço um esforço adicional, escrevendo sobre os momentos, para tê-los sempre à mão.

Éramos cinco filhos e viajávamos de férias empacotados num carro pequeno.

Cantorias incessantes eram constantes nos trajetos, e quando chegava a hora da historinha infantil no programa de rádio, era um trabalhão para sintonizar.

Um pai sem estresse.

Durante muitos anos fui um pai estressado.

Não sei se a carga que os meus dois filhos me impuseram foram demais da conta, ou eu simplesmente não estava preparado para uma empreitada tão laboriosa.

Ser pai vem acompanhado de muitas alegrias, e vê-los adultos, caminhando com as próprias pernas, resolvendo os próprios problemas traz uma satisfação enorme.

Experimentar um certo deslumbramento.

Ver o novo.

Ver o velho como novo.

Sentir o deslumbramento de quem vê pela primeira vez.

Ver como criança.

Especialmente quando estamos em transição, uma nova etapa na nossa vida, casamento, descasamento, novo emprego, aposentadoria, devemos exercitar o olhar deslumbrado.

Olhe com o olhar de criança.

Olhe como quem olha pela primeira vez.

Sinta a curiosidade, e espanto, o encantamento.

Você já fez  isso muitas vezes, mas você tinha apenas 3 anos de idade.

Desperte a curiosidade da criança dentro de você.

Goste das coisas mais singelas e inocentes.

Quando crianças, cada dia era uma aventura nova, uma descoberta atrás da outra, uma coisa nova em cada esquina.

Costumávamos fazer brincadeiras interpretando as formas das nuvens, e o amor era encontrado facilmente nos braços da mãe.

Mas crescemos, e para alguns, o mundo e a vida perderam esse encanto inesperado.

Mas a maturidade tem também o dom de nos trazer essa inocência, essa visão mais curta da realidade, o que pode melhorar a nossa capacidade de ser feliz agora, neste exato momento.

Podemos também olhar para os dramas da vida com mais serenidade, com mais, digamos, sabedoria.

A inocência não tem nada de inocente. A ignorância representa também, um certo distanciamento emocional daquilo que não nos cabe, do que está além do nosso alcance.

Não sei se é avançar no tempo, ou retroceder no tempo, mas apreciar a singularidade da nossa realidade, conservando o essencial, aquilo que realmente agrega valor.

A felicidade é continuar a amar aquilo que amávamos quando criança, e vale à pena reviver esse sentimento.

O grande homem é aquele que não perdeu a sua pequena criança dentro de si. É portanto, a capacidade de crescer sem tornar obsoleto a criança que fomos um dia.

Criança faz cada pergunta, dizemos nos quando convivemos com elas. É porque as perguntas são simplesmente fantásticas.

Onde é que perdemos essa capacidade de fazer tais perguntas?

Temos que experimentar o olhar de criança, sem ser acusado de ser infantil, e especialmente viver com o entusiasmo de quem vê pela primeira vez.

Beco