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O dinheiro não compra.

Dinheiro não compra felicidade, já sabemos.

Mas será que o dinheiro compra algum bem-estar?

Afinal, o dinheiro é bom?

Uma coisa é certa e nós já sabemos. Depois de um determinado nível, não adianta acumular mais dinheiro que o seu bem-estar não muda nem um pouquinho.

O descuido de ter nascido pobre.

Que desgraça essa de ter nascido pobre.

Que diferença faria se tivesse herdado bens valiosos e uma poupança polpuda.

Mas será que isso realmente faria diferença para a minha felicidade?

Durante muito tempo na minha vida, e acho até que ainda faço isso hoje, fico procurado um culpado para a minha pobreza.

Você tem a chave dos seus grilhões.

Embora não sejamos escravos no sentido do cerceamento físico e da liberdade, temos inúmeros elementos que de uma forma ou outra nos escravizam.

O trabalho, os compromissos sociais, os compromissos familiares, o crescimento profissional e os planos de acumulação de riqueza financeira.

Chegamos à vida adulta tão desprotegidos, que rapidamente nos tornamos escravos de diversos mecanismos de sujeição, alguns até desumanos.

A sociedade de consumo nos oferece vários grilhões que escolhemos voluntariamente nos submeter.

Alguns grilhões são chamados até de algemas de ouro (golden handcuffs), isso porque nos sujeitamos pensando nos benefícios futuros, na maioria das vezes, puramente financeiras.

O blog Serene Journey faz uma reflexão interessante sobre as algemas de ouro – A Maldição das Algemas de Ouro – The Curse of the Golden Handcuffs.

Olhe as algemas como uma escolha sua, e não encha de glamour a alternativa como se fosse chique se adornar com tal dispositivo.

Reavalie o seu estilo de vida, pois provavelmente tudo isso aconteceu de maneira gradual que você nem teve tempo de reagir. Te colocaram as algemas e você nem se deu conta.

Reduza ou elimine suas necessidades de consumo de modo a tornar palatável a escolha de se livrar das algemas.

Devemos reavaliar a nossa vida, inclusive quando educamos os nossos filhos, podemos estar colocando neles, desde cedo, os grilhões do materialismo, da moda e dos modos sociais exacerbados.

Junto com isso, vem a ganância, a arrogância e a cobiça.

Cada coisa tem o seu devido lugar; dinheiro, sexo, vida social, moda, aparência e status.

Tais recursos, quando potencializados, se tornam armadilhas que devemos evitar.

Chama a atenção a postagem no blog The Rat Race Trap, que devemos reconhecer que conseguimos sobreviver sem as algemas.

Assim como algumas pessoas enchem o prato de comida e dizemos – tem o olho maior que a boca, para outras pessoas, comentamos que os olhos são maiores que o seu contracheque (paycheck).

O alerta do artigo é que devemos ficar longe das algemas de ouro, pois no começo parecem atraentes, mas depois fica dificil de se livrar.

Beco

Dinheiro não traz felicidade.

Se o dinheiro trouxesse felicidade, os ricos seriam todos felizes.

Sabemos também que a felicidade pode ser atingida por ricos e pobres.

Não devemos colocar o dinheiro como primeira prioridade na nossa busca pessoal, pois esta é a armadilha número um para ficar para sempre aprisionado na esteira hedônica.

Dinheiro pode ajudar a mecânica do dia-a-dia, trazer mais conforto, abrandar uma necessidade orgânica, mas por si só não traz felicidade. Dinheiro pode tornar sua vida mais fácil, mas chega a um ponto onde mais ou menos dinheiro não faz a mínima diferença sequer para o seu conforto pessoal.

Quando nos acostumamos a olhar só o cifrão – $$$ – entramos num circulo vicioso, ou numa corrida, na qual nos comparamos com os outros que igualmente encaram a vida como uma corrida de cavalos.

Um artigo antigo da Newsweek aborda bem essa discussão.

Segundo o autor do artigo, essa questão se o dinheiro traz ou não a felicidade, não tem uma resposta segura.

A Newsweek apresenta o resultado de pesquisas do nível de felicidade em países e grupos sociais com alguns números curiosos.

Os multimilionários americanos apresentam o nível de 5,8 (na escala de 1 a 7), ao passo que o povo de Calcuta apresenta 2,9, o que pode indicar que dinheiro traz felicidade.

Por outro lado, outros grupos diversos dos aquinhoados americanos também apresentam o mesmo índice 5,8, são eles os Inuit que vivem debaixo de gelo no nordeste da Groelândia e os nômades Masai do Kenya, que vivem sem eletricidade ou água encanada potável.

Um ponto interessante do artigo é sobre o dinheiro e escolha.

Quando olhamos os povos desenvolvidos, percebemos que os indivíduos parecem mais felizes, pois podem escolher entre as inúmeras opções do que fazer com o dinheiro.

Porém, os resultados mostram que povos com quase nenhuma escolha também apresentam índices elevados de felicidade.

De tudo que já apresentamos nesse blog, sabemos o quanto podemos complicar a nossa busca pela felicidade.

Segundo os especialistas Seligman e Diener, a atitude materialista por si só já exerce uma influência negativa no bem-estar e na felicidade.

O dinheiro pode facilmente nos escravizar.