As folhas secas do jatobá

As folhas secas do jatobá

Tenho por hábito fazer uma longa caminhada pela manhã. É a ocasião em que pratico o que aprendi com o monge budista Thich Nhat Hanh, o walking meditation. Isso consiste em utilizar os recursos da meditação simplesmente ao caminhar.

Me concentro na própria caminhada, nas minhas passadas, na minha respiração e em todas as sensações físicas que aparecem enquanto caminho. Inclui o cansaço, a batida forte do coração, o frio da brisa matinal.

Procuro ao máximo separar essa experiência espiritual com aquela contextual. Evito prestar atenção nos carros que trafegam ou mesmo nas pessoas que fazem o mesmo trajeto.

Sei que a atenção nos carros e nas pessoas, desperta o julgamento, a crítica e as comparações, tão inoportuna e prejudicial.

A natureza:

A natureza que nos cerca, por outro lado, nos brinda com expressões magníficas que nos livram desse julgamento e todos os pensamentos associados. A natureza é bela e neutra, um pequeno gavião no pé de cajá e as flores exuberantes pelo caminho.

Hoje fui surpreendido com uma chuva de folha secas do pé de jatobá. Justamente quando passava por essas frondosas fruteiras, uma breve rajada de vento e fui inundado pelas folhas – a natureza chamando a atenção – “estou aqui”.

Meditação:

E assim é meu walking meditation, quando transformo a caminhada numa experiência de meditação. Quando flagro o meu pensamento vagando por preocupações e coisas para fazer em seguida, deixo que tais pensamentos me deixem serenamente. E quando a natureza facilita a minha meditação, aprecio agradecido a abundância da vida.

Rubens Sakay (Beco)

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