Aceitar para não sofrer

A dor pode ser inevitável, mas o sofrimento é opcional, e a receita infalível é aceitar para não sofrer.

Pode parecer estranho ou mesmo fatalístico, mas é científico. A aceitação tem o poder de aliviar a dor, além de reduzir o apego com as coisas boas da vida.

Reação:

Reagimos a quase tudo na vida de maneira automática, seja gostando ou detestando.

Queremos mais, queremos menos, queremos que pare, queremos que dure para sempre, e isso traz muito sofrimento. O mundo não é perfeito, e quase nunca as coisas saem como desejamos e imaginamos.

Pensamos que somos muito poderosos, pensamos que podemos tudo, e seguimos reagindo às circunstâncias da vida, mesmo quando já deveríamos ter se dado conta que isso está fora do nosso controle.

Dar murro em ponta de faca. Procurar cabelo em casca de ovo. Incansavelmente reagimos e lutamos querendo mudar alguma coisa que está fora do nosso alcance.

Não logramos êxito em  muitas coisas e com isso vem o sofrimento. Não é porque somos fracos ou incompetentes. Isso acontece simplesmente porque o mundo não age conforme a nossa vontade. Não somos o senhor do mundo.

Resignação:

O outro extremo da reação é a resignação. Desistimos completamente depois de ter tentado até a morte. Desistimos porque não enxergamos mais qualquer resultado nas nossas ações.

O sentimento nessa situação é de resignação, desamparo, desesperança, pessimismo, fracasso, fraqueza, tristeza e sofrimento.

Sofrimento:

Em qualquer dos extremos, seja na reação ou na resignação, estamos carregados de sofrimento.

Assim como todos os animais testados pela ciência, ratos e cachorros, o homem também experimenta os dois extremos de comportamento. No entanto, dentre todos os animais, o homem é o único que pode vivenciar a libertadora experiência da aceitação.

O sofrimento, tanto em animais quanto em humanos, foi constatado em alterações hormonais, em situações de desamparo.

Aceitação:

A aceitação, diferentemente da resignação e da sensação de abandono, nos liberta da experiência dolorosa, ou mesmo do apego às experiências prazerosas.

Com a aceitação, deixamos de sofrer. Assim compreendemos o dizer popular: “a dor é evitável, mas o sofrimento é uma escolha”.

A aceitação acontece quando descobrimos que não somos Deus, que não podemos tudo e que o mundo não vai se comportar de acordo com a nossa vontade.

A aceitação acontece quando percebemos a diferença daquilo que temos a capacidade de controlar e daquilo que não podemos controlar.

A aceitação é a definitiva libertação do sofrimento.

Rubens Sakay

 

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