A semente não reclama

Gosto muito de árvores, e já postei várias vezes sobre a satisfação de abraçar as árvores por onde passo.

Gosto também de examinar as sementes, e sempre me vejo maravilhado com a natureza.

As sementes, minúsculas joias da natureza, não reclamam da falta disso ou daquilo. Elas esperam pacientemente pelas condições para que possam germinar, prosperar e crescer majestosamente.

Se uma criança, na sua inocência, abrir uma semente ao meio, não vai encontrar uma árvore, mesmo em dimensões manométricas.

A semente é só uma semente, mas guarda todos os ingredientes para, em condições especiais, trazer para a existência um outro imponente ser. 

A semente não reclama:

A semente não reclama da tempestade que a atinge, pois sabe tirar proveito da umidade que vai quebrar a sua dormência,. Tampouco maldiz o sol escaldante, pois sabe que a energia fundamental para ela germinar está chegando.

Nós somos assim. Temos dentro de cada um as virtudes, os nutrientes básicos para o crescimento pessoal sem limites.

Podemos achar que a tempestade pode destruir o que guardamos dentro de si, mas é muito ao contrário. As adversidades é que constroem o caráter. Podemos também temer que o calor intenso possa nos destruir, mas tiramos proveito de tudo isso. Nos tornarmos assim pessoas mais resilientes, generosas e compassivas.

Não devemos reclamar da vida, aceitando o que está fora do nosso controle e assumindo a nossa responsabilidade para mudar o que está no nosso alcance.

Guardo muitas sementes e gosto de usá-las como metáforas nas minhas palestras.

A ciência tem mostrado que temos de nós uma natureza bondosa e virtuosa em muitos aspectos, e que devemos nutrir com muito carinho, atenção e responsabilidade.

Somos o que pensamos, o que sentimos, como agimos e como escolhemos explicar os fenômenos que nos atingem por toda vida.

Alguns abraçam uma crença numa Força Superior, outros escolhem seguir a maior parte do trajeto sem qualquer expressão transcendental. O fato é que uma hora ou outra, e que não seja nos últimos minutos dessa jornada, vamos cobrar de nós mesmos algumas explicações, e podemos não gostar das respostas.

R.S. Beco

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