A lógica do ponto de vista contrário.

É interessante como às vezes não conseguimos entender o ponto de vista das outras pessoas, especialmente quando as idéias não batem com as nossas.

É uma reação natural até certo ponto, mas uma barreira ruim para a nossa aprendizagem.

Temos que fazer um esforço para entender o ponto de vista contrário, pois só assim vamos aprender alguma coisa nova e diferente de tudo que já sabemos.

De modo geral, achamos que entendemos e discordamos, mas em muitas das vezes, discordamos sem sequer entender verdadeiramente o que foi dito.

Entender algo que não se alinha com o nosso pensamento exige esforço, exige paciência, determinação e humildade. É importante saber que a lógica do ponto de vista contrário quase sempre é diferente da lógica que estamos usando para tentar entender.

Uma recomendação importante é ouvir atentamente quando alguém está expondo o seu ponto de vista. Já comentei aqui, que o oposto de falar não é ouvir e sim se preparar para falar – postagem ouça o que o outro está dizendo.

Isso acontece também conosco, quando os outros não entendem o nosso ponto de vista.

Temos as mesmas deficiências das pessoas comuns – em algum momento cometemos as mesmas falhas.

Quantas vezes você não parou de falar ou evitou prosseguir na sua argumentação simplesmente porque o seu interlocutor demonstrou total desinteresse no que você estava falando.

Quando estiver numa discussão e os pontos de vista não coincidirem, faça sempre a pergunta mágica – será que posso aprender algo novo?

Essa pergunta abre a sua mente para receber uma opinião diferente.

Quando demonstramos interesse, fazemos gestos de que estamos entendendo e interessados, o interlocutor prossegue, detalha, se esforça para explicar e isso é valioso.

Quando demonstramos o contrário, ele muda de assunto, interrompe, e também se dispersa.

Importante também, é prestar atenção naquilo que não foi dito.

Assim como a passagem de um famoso romance policial, onde o fato do cachorro não ter latido é que foi a pista essencial para se chegar ao criminoso, pois se concluiu que era uma pessoa familiar ao cachorro.

Numa conversa comum, aquilo que foi suprimido é também uma informação essencial, e quando não estamos dispostos a ouvir, deixamos passar todas essas sutilezas das mensagens.

Não desafie desnecessariamente as idéias diferentes, o que não quer dizer deixar de defender seus pontos de vista. Não use de sarcasmo, cinismo e não seja prepotente.

Isso é desnecessário, dificulta a comunicação presente e futura, além de aumentar o calor e o estresse da interação.

Richard Carlson, que já comentei aqui, faz o seguinte observação que vou reproduzir totalmente: “ a primeira vez que conscientemente experimentei a estratégia de ver o ponto de vista do outro, em primeiro lugar, descobri algo maravilhoso, não doeu nem um pouco, e me aproximou da pessoa de quem eu discordava.”

Beco

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