A água pede para ser contida.

A água caminha e percorre trajetos longos rumo aos pontos mais baixos, mas no fundo, ela pede para ser contida.

Uma vez contida, a água passa a reinar, soberana, em paz.

E nessa contenção, nesse represamento, algumas coisas interessantes acontecem.

A primeira delas é a serenidade. Observe o lado e a água contida. Perceba a serenidade.

A outra coisa quase imperceptível é o crescimento.

Serenidade:

Pensamos na contenção como estagnação, mas não é.

As pequenas fontes que alimentam o lago não param de fluir.

A serenidade do lago é um profundo e silencioso crescimento.

Assim como a água contida, a nossa serenidade também é um momento de crescimento.

Empregamos uma energia enorme, perseguimos objetivos, vencemos barreiras, mas em algum momento, pedimos água, pedimos para repousar, pedimos para ser contido.

A água acumula uma energia enorme, uma corrida para atingir o oceano, sem antes movimentar turbinas, irrigar campos, evaporar, condensar, congelar e precipitar.

Nesse caminho todo, e toda essa energia da água, no fundo pede para ser contida, represada, serenada.

A contenção é apenas um recurso natural para acumular energia, e é por isso que temos os grandes lagos nas usinas hidrelétricas.

Assim acontece com a gente. Uma pausa, um momento de paz, é parte necessária para acumular energia para o nosso trajeto.

Permitimos nos libertar da turbulência, da agitação e do estresse. Deixamos que a mente e o coração entrem em harmonia.

E essa paz faz com que os problemas adquiram a sua verdadeira dimensão, e as escolhas e decisões nos pareçam mais fáceis.

Quando olhamos o fluxo da água dando um zoom negativo, nos afastando do mapa, percebemos que a contenção não é definitiva, pois o percurso é longo, e esse fenômeno é uma pequena parte de todo trajeto.

Da mesma maneira, a nossa vida é uma correria, mas precisamos de repouso, de paz, de serenidade.

Beco

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